Para quem não nos conhece ainda, a AbleGamers Brasil é uma ONG dedicada à inclusão e à acessibilidade de pessoas com deficiência por meio do videogame. Em 26 de setembro de 2026, realizamos a 10ª edição do nosso evento anual. Ao longo dessa trajetória, foram mais de 200 controles adaptados doados — 82 somente em 2025 — e milhares de pessoas impactadas. Esta é a nossa história.
Como nasceu a AbleGamers?
Para quem ainda não nos conhece, começamos há mais de 20 anos nos Estados Unidos, com um grupo de amigos que se mudaram para cidades diferentes e mantinham contato jogando online toda semana. Mesmo distantes fisicamente, eles seguiam unidos pelo jogo.
Até que a condição de uma delas se agravou. Stephanie Walker, que tinha esclerose múltipla, ficou impedida de jogar. Naquele momento, todos perceberam duas coisas ao mesmo tempo: não havia quase nada de acessibilidade no mundo dos jogos eletrônicos, e essa mídia tinha um poder enorme de conectar pessoas. Dessa necessidade nasceu a AbleGamers, fundada em 2004 por Stephanie e Mark Barlet.
Como surgiu a AbleGamers Brasil?
No Brasil, o início foi mais tímido e até desorganizado. Encantados com o trabalho do projeto e com muita vontade de ajudar, dois amigos, Christian Bernauer e Eduardo Rocha, decidiram fazer uma live para arrecadar fundos. Esse foi o primeiro evento batizado de AbleGamersBR e aconteceu em 2017.
Apesar de simples e sem nenhuma estrutura, o evento deu certo e foi o primeiro passo de uma longa jornada. Ali, eles decidiram torná-lo anual. A live se repetiu ano após ano até levar à fundação da AbleGamers Brasil, em 28 de setembro de 2021 — a primeira ONG do país voltada para pessoas com deficiência em videogames e, até onde sabemos, ainda a única.
O que 10 edições do evento anual deixaram como saldo
Imagem: AbleGamers Brasil/ Divulgação
Em setembro de 2026, aconteceu o 10º evento anual da AbleGamers Brasil. Ao longo desses anos, foram muitas histórias:
• Mais de 200 controles adaptados doados a jogadores com deficiência
• 82 controles entregues somente em 2025
• Milhares de pessoas impactadas, dentro e fora dos jogos
Por que videogame é mais do que diversão para pessoas com deficiência?
Para muitos, videogame pode parecer só uma diversão sem sentido. Já ouvimos que pessoas com deficiência têm necessidades muito mais prementes do que “jogar joguinhos”. Por esse ponto de vista, quem diz isso tem razão: os jogos eletrônicos podem ser só uma diversão vazia.
Mas eles são muito mais do que isso. São uma janela para o mundo, conectando pessoas com e sem deficiência. Permitem que as pessoas realizem feitos impossíveis na vida real. Para a maioria dos jogadores, isso significa pilotar uma nave espacial, enfrentar dragões ou lançar bolas de fogo de um cajado mágico. Para pessoas com deficiência, pode ser algo simples e mundano como andar de bicicleta, mergulhar no mar ou limpar um carro com uma lavadora de alta pressão.
Os jogos ajudam a quebrar barreiras, romper preconceitos e conectar pessoas. Já ouvimos inúmeras vezes pessoas com deficiência dizerem que, quando saem na rua, todo mundo olha para elas. Nos jogos eletrônicos, elas podem ser iguais a qualquer um.
Como a acessibilidade chega aos eventos presenciais
Imagem: AbleGamers Brasil/ Divulgação
É justamente essa inclusão que buscamos proporcionar, dentro e fora dos jogos. Por isso, nosso trabalho se estende para além do mundo digital. Desde 2022, participamos de eventos presenciais levando acessibilidade aos visitantes de feiras como BIG Festival, gamescom latam, CCXP e Brasil Game Show.
Entre 9 e 12 de outubro de 2026, levamos acessibilidade para pessoas com deficiência que visitaram a Nintendo, a SEGA e a Devolver Digital na Brasil Game Show. Não só com controles adaptados, para que todos pudessem jogar, mas também com audiodescrição, incluindo pessoas com deficiência visual na experiência que esses eventos proporcionam.
A AbleGamers Brasil na assinatura do decreto do Marco Legal dos Games
Imagem: AbleGamers Brasil/ Divulgação
Para coroar essa jornada, que está apenas começando, Fabrício “SDW” Ferreira, um dos membros fundadores da AbleGamers Brasil, foi a Brasília no dia 14 de outubro de 2026 para acompanhar a assinatura do decreto que regulamenta o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos.
O Decreto nº 13.138/2026, batizado de “Desenvolve Gamers Brasil”, coloca em prática a Lei nº 14.852/2024 e reconhece os jogos eletrônicos como produtos culturais e obras audiovisuais interativas — abrindo acesso a linhas de fomento como a Lei Rouanet, a Lei do Audiovisual e o Fundo Setorial do Audiovisual. Entre as diretrizes previstas está a integração dos games a políticas públicas de educação, saúde e acessibilidade.
Fabrício, que tem Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 2, pôde compartilhar sua história e contar o quanto os videogames impactaram positivamente sua vida — criando amizades e abrindo oportunidades pessoais e profissionais. Segundo ele, hoje o videogame não só faz parte de sua vida, como a tornou algo muito melhor.
Qual é a missão da AbleGamers Brasil?
Histórias como essa fazem parte do nosso trabalho diário. Nossa missão é promover a inclusão social de pessoas com deficiência por meio do videogame, criando oportunidades para conexões significativas, fomentando uma sociedade mais inclusiva e construindo comunidades e amizades duradouras através de experiências compartilhadas.
Prazer, somos a AbleGamers Brasil. E esperamos que vocês ainda ouçam falar muito sobre nós.
Christian Bernauer Fundador e diretor-presidente
Perguntas frequentes
O que é a AbleGamers Brasil? É uma ONG brasileira dedicada à inclusão e à acessibilidade de pessoas com deficiência por meio do videogame. Fundada em 2021, é a primeira organização do país voltada exclusivamente a esse tema.
O que é um controle adaptado? É um controle modificado ou construído sob medida para que uma pessoa com deficiência consiga jogar — com botões externos, posicionamento alternativo ou acionamento por outras partes do corpo. A AbleGamers Brasil já doou mais de 200 deles.
Como apoiar a AbleGamers Brasil? As campanhas de arrecadação da ONG financiam a produção e a entrega dos controles adaptados. A organização também atua em formação de desenvolvedores em acessibilidade e na defesa de projetos de lei que reduzem tributos sobre equipamentos adaptados.