Há um mar de evidências de que as redes sociais não apenas favorecem a desinformação, mas também lucram, direta e indiretamente, com a crise informacional . De um lado, lucram com a captura da atenção dos usuários, alimentando-os com conteúdos inflamatórios e veiculando anúncios entre uma recomendação e outra. De outro, têm recebido das campanhas políticas montantes cada vez maiores de publicidade.
Na disputa por atenção, as campanhas estão cada vez mais dependentes de aparição. Contudo, essas infraestruturas, que "permitem" que a participação política aconteça, são operadas por atores que estão longe da neutralidade.
As eleições de 2026 trouxeram acusações consistentes de que as plataformas não trataram as candidaturas da mesma forma. Segundo a CTRL+Z, foram mais de mil casos de restrição a conteúdo político nas plataformas da Meta durante as eleições, majoritariamente atingindo o campo progressista, com justificativas pouco convincentes e sem garantia de devido processo aos usuários.
Usuários também denunciaram a manipulação do sistema de buscas do Instagram para não permitir que o perfil de Lula fosse encontrado e obstrução da criação de materiais de campanha em favor do Partido dos Trabalhadores pela IA da Meta, entre outros . Nesse sentido, se existe uma caixa-preta no processo eleitoral brasileiro, são os sistemas de recomendação e moderação de conteúdo das plataformas.
A verdadeira caixa-preta das eleições
Durante anos, uma das principais desinformações veiculadas por setores reacionários é a de que a urna eletrônica seria uma caixa-preta . A mentira aparece principalmente quando o resultado da disputa eleitoral não é favorável a alguns atores. A urna é auditada