À sombra do 7 de Outubro, Israel vai às urnas dividido sobre Netanyahu e o futuro do país

Os israelenses vão às urnas pela primeira vez desde o maior ataque terrorista da história de seu país . À sombra do 7 de Outubro, que cravou uma inflexão na política interna de Israel há três anos, os pouco mais de 7 milhões de eleitores ap

Por Admin ·

À sombra do 7 de Outubro, Israel vai às urnas dividido sobre Netanyahu e o futuro do país

Em jogo estão a preocupação com o custo de vida , a condução das políticas de segurança nacional, a cobrança por uma investigação quanto à resposta ao ataque terrorista do Hamas e as regras de alistamento militar dos ultraortodoxos . O pleito ocorre depois de três anos de guerra em Gaza e de confrontos com o Líbano e o Irã , em uma sociedade atravessada por divisões anteriores ao conflito.

Em pesquisa divulgada na sexta-feira (23) pelo Canal 12, 21% dos entrevistados apontaram a economia e o custo de vida como o principal fator de influência sobre seu voto. Outros 17% citaram o alistamento militar e a igualdade de obrigações, 14% mencionaram as falhas de segurança de 7 de Outubro, 13%, a segurança pública, e 10%, a guerra com o Irã . A reforma do Judiciário e a polarização social foram escolhidas por 9% e 8%, respectivamente.

"A eleição pode ser considerada um referendo sobre Binyamin Netanyahu , mas não tanto sobre o 'netanyahismo', especialmente na área de segurança", afirma à Folha o cientista político Karabekir Akkoyunlu, professor visitante na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pesquisador associado à Universidade de Oxford. Segundo ele, há divergências sobre quem deve responder pelas falhas do ataque terrorista: o primeiro-ministro, as Forças Armadas ou outras instituições do Estado.

Premiê com mais tempo no poder da história de Israel , Netanyahu tenta permanecer no cargo à frente do Likud. Desde dezembro de 2022, o partido de direita governa com apoio de legendas religiosas e de extrema direita, embora a controvérsia sobre o alistamento militar tenha provocado rupturas . O premiê e sua trajetória de mais de 19 anos acumulados no cargo convivem com críticas pela resposta aos ataques do Hamas e com um julgamento por corrupção, no qual ele nega qualquer irregularidade.

O principal nome cotado como adversário é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e líder do partido Yashar (Íntegro), criado em 2025. Depois de 41 anos de carreira militar, integrou como observador o gabinete de guerra de Netanyahu, mas deixou o posto oito meses depois, em desacordo com a condução do conflito. Perdeu no combate em Gaza um filho e dois sobrinhos.

A oposição a Netanyahu inclui ainda o ex-premiê Naftali Bennett e Yair Lapid, unidos no B'Yachad (Juntos), Avigdor Lieberman, do Yisrael Beiteinu (Israel, Nossa Casa), e Yair Golan, dos Democratas. Embora os quatro partidos tenham firmado um acordo de cooperação para retirar Netanyahu do poder, mantêm divergências que podem dificultar a composição de uma nova coalizão.

"A oposição não é um campo da paz", afirma Akkoyunlu. Para o professor, as diferenças em relação a Netanyahu são mais evidentes na condução política e diplomática dos conflitos do que em seus objetivos centrais de segurança. Ele avalia que o eleitorado judeu israelense se deslocou à direita desde 2023, sobretudo na rejeição a um Estado palestino .

No debate interno, a reforma do Judiciário, alvo de grandes manifestações antes da guerra, ainda divide os partidos. Também ganhou força a controvérsia sobre a dispensa do serviço militar para homens judeus ultraortodoxos, que provocou atritos na coalizão de Netanyahu após anos de mobilização de reservistas. A oposição à isenção é uma das bandeiras do Yashar, de Eisenkot.

Segundo o Canal 12, as prioridades dos eleitores variam conforme a preferência política: entre os da oposição, 28% apontam as falhas do 7 de Outubro como principal preocupação, seguidas pelo alistamento militar (27%). Já entre os apoiadores do governo, a guerra com o Irã lidera (21%), seguida por economia e reforma judicial, ambas com 18%.