Neste momento, há 5.000 robôs nos EUA exercendo essa função que, até há pouco, era reservada aos recém-chegados dos trópicos: entregar pizza, sushi ou frango frito a clientes em domicílio. Os robôs são caixas sobre quatro rodas, movidas pela IA , encarregadas de recolher os pedidos nos restaurantes e levá-los ao destinatário, como fazem os nossos motoboys. A caixa é um compartimento térmico, comportando, se preciso, até seis pizzas gigantes. Munidos do endereço, os robôs calculam a rota mais rápida, escaneiam os sinais de trânsito no percurso, registram os meio-fios ou escadas a evitar e saem lampeiros rumo ao destino. Mas não podem prever os tropeços nos humanos —ou suas agressões por estes.
Por vários motivos, os robôs irritam os americanos . São chutados, agredidos com porrete, virados de rodas para cima ou cercados por um grupo e linchados. Não demorará a criação de mais uma categoria: o robocídio. Suspeita-se que seja uma reação ao avanço da tecnologia sobre as pessoas e sobre os empregos dessas pessoas —um robô sai mais barato do que um entregador humano.
É fácil agredir os robôs. Por ora, eles não conseguem se defender. Como são mudos, pode-se ofendê-los à vontade. Alguns são pichados com frases que os ridicularizam e continuam rodando sem perceber, como patetas. Ser robô nos EUA já é uma profissão de risco.
Como a IA, por sua natureza, aprende a se defender sozinha, eles não demorarão a reagir, disparando sirenes ou emitindo violentos gases contra os agressores —de pimenta ou lacrimogênio, espero.
A seguir, o robocídio
Nas grandes cidades americanas, a cena já é comum. O sujeito está andando pela sua rua à noite, absorto num pensamento profundo sobre o nada, quando, de repente, vê passar à sua frente algo do tamanho de um cachorro de porte médio, com dois olhos lampejantes,