Passadas as eleições e com a oposição desembarcando do moinho não democrático, está na hora de pensar no futuro próximo. As perspectivas, no entanto, não são animadoras. Guilherme Boulos , ministro do atual governo, afirmou nas redes sociais que aqueles que esperam um ajuste fiscal não entenderam "nada do que foi esta eleição" e que a agenda econômica será outra. Dobrar a aposta nessa visão econômica nos arrastará novamente para a instabilidade política.
Como falar sobre o presente é cair em ouvidos que não querem escutar, relembrar a longa história do combate à inflação brasileira durante o século 20 talvez ajude. Entre 1950 e 1993, fomos o país com a maior inflação acumulada entre aqueles que continuam existindo. Também estamos no pódio se a métrica for a duração de episódios de inflação acima de 100% ao ano.
Nesse período, cortamos 12 zeros nas seis moedas que tivemos. O resultado foi uma devastação social. Enquanto algumas cidades viviam o sonho dos 50 anos em 5 com os projetos de industrialização, a outra parte do país, não tendo como proteger sua renda do aumento dos preços, ficou aprisionada no passado. Segundo estimativas, apenas 3% dos adultos na década de 1980 tinham acesso ao mercado de moeda indexada, que realmente oferecia proteção contra a alta inflação.