Em "A Providência e a Guitarra", filme em cartaz na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo , importa menos a razão do que as sensações causadas pela arte. É ela, seja nos quadros de um pintor frustrado, seja na peça de um ator desrespeitado, que guia as personagens, embaralhando sonhos e dificuldades.
"O cinema é uma arte que permite furar o cartesianismo [filosofia que defende a razão como responsável pela verdade]. A vida nem sempre é lógica, então não vejo por que os filmes precisam ser", diz o cineasta João Nicolau , conhecido por explorar o realismo mágico em suas obras.
Em " Technoboss ", de 2019, ele recorreu ao musical para narrar a trama de um sexagenário que, antes de se aposentar, precisa resolver pendências de sua empresa de sistemas de segurança.
Já no seu "A Espada e a Rosa", de 2010, um rapaz questiona limites da moral humana e amarras da sociedade portuguesa ao se juntar a um grupo de piratas.
'A Providência e a Guitarra' une passado e presente para exaltar a resiliência da arte
Artistas buscam autorização para se apresentar. Ora estão no passado, como trovadores do século 19, ora estão no presente, entre músicos e políticos militantes. Eles são vividos pelos mesmos atores em ambos os cenários, e o filme nunca explica o porquê dessas