A objetificação sexual está programada em nosso cérebro?

Quando as pessoas veem imagens sexualizadas de mulheres , tendem a se lembrar dessas imagens menos do que de imagens sexualizadas de homens —uma peculiaridade da memória que psicólogos associam à objetificação .

Por Admin ·

A objetificação sexual está programada em nosso cérebro?

Mas, em nosso novo estudo, meus colegas e eu encontramos uma solução improvável: aplicar uma corrente elétrica leve na testa.

Objetificação significa enxergar alguém como um corpo, ou um conjunto de partes do corpo, em vez de como uma pessoa por inteiro. Nossos resultados, publicados na revista Social Neuroscience, sugerem que esse viés de percepção não é inato e pode ser alterado —pelo menos por algum tempo.

Os psicólogos o medem com um teste de imagens invertidas. As pessoas são muito melhores em reconhecer rostos e corpos na posição correta —normalmente, acertam cerca de 80%, contra 55% quando estão de cabeça para baixo— porque percebemos como todas as partes se encaixam.

Com objetos, como casas, virá-los de cabeça para baixo faz muito menos diferença, pois os reconhecemos por suas partes.

Um estudo de 2012 usou esse teste com imagens sexualizadas. Voluntários viam brevemente uma foto e depois tinham de identificá-la entre duas opções: a própria foto e sua imagem espelhada.

Tanto homens quanto mulheres se saíram muito melhor com imagens de homens de roupa íntima quando as fotos estavam na posição correta, mas tiveram desempenho semelhante com mulheres em poses parecidas, independentemente da orientação —o padrão esperado para objetos.

A descoberta tem sido objeto de debate, e algumas tentativas de reproduzi-la fracassaram. No entanto, uma análise de 2022, que reuniu resultados de 41 artigos, constatou que a "vantagem da posição correta" —o quanto as pessoas reconhecem melhor alguém na posição normal do que de cabeça para baixo— é menor para mulheres sexualizadas do que para homens sexualizados.

Mulheres sexualmente objetificadas são vistas como menos competentes e menos plenamente humanas, e aquelas que internalizam essa visão de si mesmas tendem a ter uma pior imagem corporal e uma saúde mental, física e sexual mais precária.

A exposição a conteúdos sexualizados na mídia também está associada a uma maior tolerância à violência sexual contra as mulheres.

Esse viés também muda de acordo com as circunstâncias. Em um estudo de 2015, desfocar o peito e a virilha das mulheres ou descrevê-las como formadas em medicina e empenhadas em arrecadar fundos para pesquisas sobre o câncer fez com que as pessoas reconhecessem seus corpos de maneira mais semelhante à dos homens.