Universidades são cada vez mais cobradas a mostrar a sua contribuição à sociedade. Entre o impacto e o discurso existe um abismo de informação. Muitas instituições acumulam projetos sociais, iniciativas ambientais, ações de inclusão e de desenvolvimento tecnológico, mas não conseguem apresentar adequadamente seus resultados. Boas intenções não bastam.
A experiência recente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com a medição de seu impacto social e sustentável sugere hipótese interessante: a habilidade de expor os resultados não depende apenas de recursos financeiros ou de compromisso político. Ela depende também de boa governança. Com frequência, instituições de educação superior operam com dados fragmentados, estruturas descentralizadas e baixa coordenação institucional.
O ponto de partida na UFMG foi relativamente simples: em primeiro lugar, tivemos de compreender como nossas atividades e estruturas dialogavam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030 da ONU. O que veio em seguida revelou um fenômeno comum nas universidades públicas brasileiras: centenas de iniciativas relevantes existiam, mas permaneciam dispersas, pouco documentadas e frequentemente invisíveis para a própria instituição e a comunidade universitária.
Ao mobilizarmos nossas agências acadêmicas e administrativas para identificar, validar e sistematizar evidências, a UFMG começou a construir algo mais importante do que um banco de dados: gerou uma nova capacidade de autoconhecimento institucional.
Rapidamente, o processo produziu frutos. Em apenas três anos, a universidade passou a reportar evidências relacionadas à implementação de 17 ODS nos seus campi. No ranking de sustentabilidade da Times Higher Education de 2026, posicionou-se entre as 300 universidades mais bem avaliadas do mundo. Mais significativo: alcançou o top 100 em dois ODS (7 e 9). Por fim, foi identificada como a universidade mais bem colocada da América do Sul em impacto sustentável.