A extensão universitária ainda é, muitas vezes, percebida como o "patinho feio" da universidade. Essa visão, no entanto, merece ser tensionada.
Se o mercado de trabalho demanda profissionais capazes de compreender desafios concretos e construir soluções viáveis, a prática extensionista pode ocupar um papel relevante na formação de estudantes de graduação e pós-graduação, ampliando repertórios, aproximando-os de diferentes realidades e criando espaços para testar hipóteses.
É na atuação com o território, na descoberta da relação entre as causas complexas e sistêmicas, na leitura do contexto, na confecção de soluções em intercâmbio com as pessoas, os saberes e necessidades locais, conectado ao embasamento científico da pesquisa, que esse aluno-criativo-solucionador de problemas reais se constrói.
Um exemplo potente de projeto de extensão que extrapolou os muros da universidade e virou política pública é o programa Pista (Parques de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental), que surgiu inicialmente na favela da Rocinha (RJ) sendo o primeiro parque de inovação estabelecido em uma comunidade periférica.
Sua criação foi viabilizada por meio de recursos da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) em parceria com universidades, secretarias estaduais e apoio estratégico do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
O Pista financia e acelera negócios de impacto social, tecnológico e ambiental criados por moradores locais, apoiando o empreendedorismo e a inovação sustentável em favelas e comunidades.