A economia da trapaça merece ser estudada

Já se passaram semanas desde o anúncio dos vencedores, e os elogios estão atrasados: meus sinceros parabéns a Paul Piff, Daniel Stancato, Stéphane Côté, Rodolfo Mendoza-Denton e Dacher Keltner, que descobriram que pessoas de classes sociais mais altas têm maio

Por Admin ·

A economia da trapaça merece ser estudada

Já elogiei o Ig Nobel antes. Ele é a alternativa irreverente ao Nobel e, neste ano, premiou pesquisas sobre mictórios que evitam respingos, o enterro e posterior desenterramento de mil pares de cuecas para avaliar a saúde do solo em diferentes países e a descoberta de que os bebês têm um cheiro agradável para os pais, mas os adolescentes, não. O prêmio renova aspectos do debate científico que não são alcançados pelo Nobel. No caso da economia, o Nobel tradicional tem seu valor, mas, para entender rapidamente o que move os economistas, o Ig Nobel é sempre a melhor opção.

A trapaça é um tema particularmente fértil para os economistas —e para o Ig Nobel . Em 2015, o prêmio foi concedido à Polícia Metropolitana de Bangkok "por oferecer dinheiro extra aos policiais que se recusassem a receber propinas". É bom ver os policiais sendo reconhecidos por contribuir para o avanço do conhecimento humano.

É uma pena que o comitê do Ig Nobel não possa premiar todos os candidatos merecedores. Steven Levitt, coautor do best-seller Freakonomics (2005), ganhou a prestigiosa medalha John Bates Clark em 2003. Ele deve estar profundamente decepcionado por nunca ter recebido um Ig Nobel depois dessa conquista.

Uma contribuição de Levitt digna do Ig Nobel foi um artigo jornalístico que ele e seu coautor de Freakonomics, Stephen Dubner, publicaram na revista The New York Times Magazine em 2004: "What the Bagel Man Saw" (O que o homem dos bagels viu, em tradução livre).

O homem em questão era Paul Feldman, que administrava um negócio bem-sucedido de entrega de milhares de bagels a mais de cem escritórios na região de Washington, nos Estados Unidos. Os clientes pagavam os produtos por meio de uma caixa de honestidade, na qual depositavam o dinheiro sem a supervisão de um funcionário.