Em 2018, Jair Bolsonaro estava em um partido quase inexistente (PSL) e não tinha tempo de rádio e TV. Nem palanques nos estados. Em 2022, o PL conquistou 121 cadeiras na Câmara , o melhor desempenho de um partido em eleições realizadas desde a Constituição de 1988, e fez uma bancada poderosa no Senado .
Qual clã chegou perto disso no Brasil? Os Sarneys, Antônio Carlos Magalhães, Calheiros, Barbalhos? Com todo o poder que tiveram e têm, não chegaram perto em termos de votos nacionais. A grife Bolsonaro tem um capital político inédito na história brasileira. Os grandes líderes nunca tiveram sucessores: ninguém sabe quem foram os filhos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek; o filho do Lula a gente sabe como é. Já Flávio quase venceu a eleição para a Presidência, e Michelle Bolsonaro será senadora pelos próximos oito anos.
A direita brasileira não se sustenta no ar —ao contrário, tem forte respaldo na opinião pública. Pesquisa realizada pelo Ipsos-Ipec no mês passado mostrou que o índice de conservadorismo na sociedade tem crescido: de 2010 a 2026, a porcentagem de pessoas que apoiavam a pena de morte passou de 31% para 52%, e a das que defendiam a redução da maioridade penal, de 63% para 71%.
O brasileiro está muito incomodado com as questões referentes à segurança pública. O mesmo levantamento apontou que 52% da população listou crime e violência como sua principal preocupação.
Nesse contexto, uma corrente política que prega mais energia contra os criminosos e a flexibilização da posse e do porte de armas vai ao encontro das aspirações do eleitorado.
Isso dá ao bolsonarismo uma força inédita. Pergunte para um eleitor comum na rua o que significa a sigla PL . Pouca gente saberá. Esclareça que se trata do partido dos Bolsonaros e todos compreenderão. A coisa muda totalmente de figura. O PT continuará sendo o PT sem o Lula. Provavelmente mais fraco. Já o PL "é" Bolsonaro.