É uma relação tão umbilical com a ribalta que a possibilidade de uma aposentadoria parece pouco provável. Aos 97 anos, Timberg continua inquieta, curiosa e incansável. "Quanto mais a gente alcança alguma coisa, mais queremos ir adiante. Acho que é uma característica de nós todos", afirma a artista. "Somos seres em busca."
No caso de Timberg, essa procura deu origem à peça "Fôlego", espetáculo em cartaz no Sesc Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. Escrito especialmente para a artista, o espetáculo faz parte de uma série de projetos que celebram os seus 90 anos de carreira.
Entre as iniciativas, estão um tributo que a TV Globo deve lançar no ano que vem, um documentário dirigido por Hermes Frederico e uma exposição que entrará em cartaz em 4 de novembro, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.
Com direção de Ricardo Grasson e texto de Andréa Bassitt, "Fôlego" traz Timberg na pele de Rosa, idosa que comandou um teatro ao lado da irmã e do cunhado por décadas.
Após a morte dos dois, ela se vê com dificuldades para manter o espaço de pé em razão de problemas financeiros. O teatro, afinal, não consegue atrair público como antigamente.
Diante da decadência desse espaço, a sobrinha de Rosa, personagem de Carla Marins, propõe que a tia venda o imóvel a uma igreja para se livrar do problema. Essa transação é desaprovada por Laura, afilhada da idosa, vivida por Rita Elmôr.
O espetáculo, portanto, mostra um cabo de guerra em que interesses divergentes põem em xeque a sobrevivência física do teatro —tema, aliás, bastante atual.
Nos últimos anos, espaços teatrais em São Paulo fecharam as portas por problemas financeiros ou disputas judiciais. Um dos casos mais célebres foi a demolição do Teatro de Contêiner pela prefeitura, em março deste ano. A gestão municipal afirmou que o terreno onde o espaço ficava será destinado a um hub de moradias sociais.