A cilada do ajuste fiscal

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Por Admin ·

A cilada do ajuste fiscal

Desde a redemocratização, nenhum candidato havia virado uma eleição presidencial no segundo turno. Lula virou —e não foi sozinho. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente e, no dia seguinte, estudantes já estavam nas ruas.

A mobilização nasceu sem convocação da campanha e cresceu por três semanas, até tomar as ruas de todo o país na véspera da votação. Lula , que subiu nos palanques das Diretas Já, disse nunca ter visto nada igual. No domingo (25), recebeu 64,3 milhões de votos, a maior votação já obtida por um candidato a presidente .

Quem foi às ruas tinha o que defender. Entre a reta final do primeiro turno e a véspera do segundo, a agenda de Lula ficou clara: Bolsa Família maior, fim das bets, tarifa zero no transporte nos fins de semana, promessa de não mexer na aposentadoria de quem ganha um salário mínimo e fim da escala 6x1, promulgado no meio da campanha. Foi em torno dessa agenda que se formou a maioria que derrotou o bolsonarismo.

Lula sabe de onde veio a vitória. Numa live três dias antes da votação, disse que "a participação do povo nesta campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar este país". No discurso da vitória , lembrou que não foi ele quem escolheu o Congresso, "foi o povo que escolheu", e falou em "fazer o povo participar mais das nossas decisões". Num Parlamento em que o PL terá sozinho quase tantos deputados quanto todos os partidos da coligação de Lula juntos, não há outro caminho. A força do governo estará menos nos cargos e nas emendas do que no povo mobilizado que o elegeu.